Quando se pensa na China, há uma imagem que surge quase de imediato: uma imensa serpente de pedra ondulando por montanhas, desertos e vales, desafiando o tempo e a imaginação. A Muralha da China não é apenas uma das sete maravilhas do mundo moderno — é também um dos maiores feitos da engenharia humana, envolta em séculos de história, lendas e mistérios.
Construída ao longo de mais de dois milénios, com o esforço de milhões de pessoas, esta estrutura colossal estende-se por milhares de quilómetros e guarda histórias de impérios, batalhas, sacrifícios e conquistas. Mas até que ponto conhecemos, de facto, a verdadeira história da Muralha da China? Será que foi realmente eficaz como defesa militar? Terá mesmo sido visível da Lua? E quem foram os homens e mulheres que deram a vida por este símbolo de poder?
Neste artigo, vamos explorar tudo sobre a muralha da China: desde a sua origem até ao seu papel como património cultural da humanidade, passando pelas técnicas de construção, as suas funções estratégicas e as muitas curiosidades que a rodeiam. Prepare-se para uma viagem no tempo — e ao longo de milhares de quilómetros — através da obra mais icónica do Império do Meio.
Resumo de conteúdo
Origem da Muralha da China
A história da muralha da China começa muito antes de se tornar a construção imponente e contínua que hoje conhecemos. A sua origem remonta ao Período dos Reinos Combatentes (aproximadamente entre 475 a.C. e 221 a.C.), uma época marcada por conflitos constantes entre diversos estados chineses. Cada reino erguia muros para se proteger dos ataques dos vizinhos e das tribos nómadas vindas do norte, como os Xiongnu. Estas primeiras muralhas eram rudimentares, feitas com terra compactada, e serviam principalmente como barreiras defensivas locais.
Foi apenas com a unificação da China sob o primeiro imperador da dinastia Qin, Qin Shi Huang, em 221 a.C., que surgiu a ideia de ligar várias dessas muralhas numa só estrutura contínua. O imperador acreditava que uma defesa unificada era essencial para manter a estabilidade do novo império. Assim, iniciou-se um dos projetos mais ambiciosos da antiguidade: unir, reforçar e expandir as antigas barreiras defensivas, criando a base daquilo que viria a ser conhecido como a Grande Muralha.
Este esforço titânico exigiu a mobilização de centenas de milhares de trabalhadores, incluindo soldados, camponeses, prisioneiros e até dissidentes políticos. As condições de trabalho eram extremamente duras, com relatos de fome, doenças e exaustão. Muitos perderam a vida durante a construção — ao ponto de alguns historiadores se referirem à muralha como “o maior cemitério do mundo”.
É importante notar que a muralha construída durante o reinado de Qin Shi Huang diferia bastante da estrutura que conhecemos hoje. Era feita sobretudo de terra prensada e pedras soltas, vulnerável ao desgaste natural. No entanto, estabeleceu as fundações políticas e simbólicas daquilo que viria a ser um projeto contínuo ao longo das dinastias seguintes.
Ao longo dos séculos, especialmente sob as dinastias Han, Sui, e Ming, a muralha foi sendo reconstruída, expandida e reforçada. Cada imperador que a tocou deixou a sua marca — seja em extensão, em técnica ou em propósito estratégico.
A verdadeira história da muralha da China começa, portanto, não com uma estrutura única e grandiosa, mas com uma série de muros fragmentados, nascidos do medo, da guerra e da necessidade de proteger o que era mais precioso: o coração de uma civilização milenar.
A Construção: Técnica e Engenharia Milenar
A construção da muralha da China é uma das maiores proezas de engenharia já realizadas pelo ser humano. Ao longo dos séculos, diferentes dinastias chinesas adotaram métodos distintos, adaptando-se às condições locais e aos recursos disponíveis. O resultado é uma estrutura multifacetada, onde coexistem trechos de terra batida, pedra, tijolo e madeira.
Materiais utilizados: da terra ao tijolo
Os primeiros segmentos da muralha, especialmente aqueles construídos sob a dinastia Qin, foram feitos principalmente de terra compactada, misturada com ramos, pedras pequenas e cascalho. Em regiões desérticas, como o Corredor de Hexi, utilizava-se areia e junco para formar camadas sólidas.
Mais tarde, durante a dinastia Ming (1368–1644), houve um grande investimento em reforçar e reconstruir vastas secções da muralha com materiais mais duradouros, como blocos de pedra talhada e tijolos cozidos, sobretudo em áreas montanhosas e de grande visibilidade.
Quem construiu a muralha?
A obra foi erguida com mão de obra forçada. Estima-se que entre 300.000 a 1.000.000 de pessoas participaram das construções em diferentes épocas. Eram trabalhadores forçados, prisioneiros de guerra, camponeses recrutados compulsoriamente e até intelectuais acusados de desafiar o poder imperial.
As condições de trabalho eram brutais: jornadas exaustivas, escassez de alimentos, climas extremos e alojamentos precários. Muitos trabalhadores morreram de exaustão ou doença, e os seus corpos eram, segundo algumas lendas, enterrados nas próprias fundações da muralha.
Os desafios da construção
Erguer a muralha num território tão vasto e diverso foi uma tarefa hercúlea. Os operários enfrentaram obstáculos como:
- Montanhas escarpadas, que exigiam técnicas especiais de transporte de materiais;
- Desertos áridos, onde a escassez de água e sombra tornava tudo mais difícil;
- Regiões de difícil acesso, que obrigavam ao uso de métodos manuais e improvisados;
- Climas extremos, desde o frio intenso do Norte às tempestades de areia do Noroeste.
Ferramentas e técnicas rudimentares… mas eficazes
Apesar de não existirem máquinas modernas, os chineses usaram métodos engenhosos:
- Andaimes de bambu, leves e resistentes;
- Rampas de terra, para elevar materiais a zonas elevadas;
- Correntes humanas, para transportar blocos em cadeia;
- Técnicas de compactação com martelos e estacas.
Através de persistência, engenho e força humana, a muralha foi sendo moldada aos poucos — um verdadeiro testamento à capacidade humana de construir mesmo diante das maiores dificuldades.
A Extensão da Muralha: Onde Começa e Onde Termina
A muralha da China não é uma única estrutura contínua, como muitas vezes se pensa. Trata-se, na verdade, de uma vasta rede de muralhas, torres, fortes e barreiras naturais que se estendem ao longo de várias regiões do norte da China. Ao todo, segundo medições modernas, a muralha atinge mais de 21.000 km de extensão — o equivalente a metade da volta ao planeta!
Onde começa e onde termina?
- Ponto inicial (leste): Shanhaiguan, na província de Hebei, onde a muralha encontra o Mar de Bohai. Esta secção é conhecida como o “Passo da Cabeça de Dragão”, pois simbolicamente o dragão (muralha) mergulha no oceano.
- Ponto final (oeste): Jiayuguan, na província de Gansu, em pleno deserto de Gobi. Este é o “Último Portão sob o Céu”, um importante posto de controlo da Rota da Seda.
Entre estes dois pontos, a muralha serpenteia por 15 províncias, adaptando-se à geografia e ao relevo, atravessando montanhas, vales, planícies e desertos.
Trechos principais da muralha
Embora existam dezenas de secções, algumas são especialmente conhecidas:
- Badaling (perto de Pequim): a secção mais visitada e bem conservada, com fácil acesso e infraestrutura turística.
- Mutianyu: menos lotada que Badaling, mas igualmente impressionante.
- Simatai e Jinshanling: mais autênticas e selvagens, com trechos que mantêm a aparência original.
- Jiayuguan: no extremo oeste, com um dos fortes mais bem preservados da muralha.
Secções restauradas vs. secções perdidas
A maior parte do que vemos em imagens turísticas é fruto de restaurações, sobretudo feitas a partir da década de 1980. No entanto:
- Apenas cerca de 8% da muralha está bem preservada;
- Grandes trechos estão em ruínas, cobertos por vegetação ou engolidos pelo crescimento urbano;
- Em algumas áreas remotas, a muralha foi desmantelada por comunidades locais para reaproveitamento de materiais.
Infelizmente, a ação do tempo, a erosão e a negligência colocam em risco partes importantes deste património.
Visível do espaço?
Um dos mitos mais persistentes é o de que a muralha da China é visível da Lua. Na verdade, astronautas confirmaram que não é possível vê-la a olho nu do espaço, exceto em condições ideais e a partir de órbitas muito baixas, onde outros elementos (como estradas ou rios) são igualmente visíveis.
Função Militar e Estratégica
Ao contrário do que muitos imaginam, a muralha da China não foi concebida como uma barreira intransponível capaz de impedir qualquer invasão. A sua função era mais complexa: controlar, retardar e canalizar o movimento de forças invasoras, dificultando o avanço de exércitos inimigos e permitindo ao exército imperial ganhar tempo para reagir.
Mais do que uma parede física, tratava-se de um sistema defensivo integrado, com torres de vigia, fortes, valas, portões e caminhos internos de patrulha.
Torres de vigia e sinais de fumo
Ao longo da muralha existem milhares de torres de vigia construídas em pontos estratégicos, muitas delas com visibilidade direta umas para as outras. Estas torres serviam para:
- Observar movimentos inimigos à distância;
- Comunicar rapidamente com outras zonas da muralha, usando sinais de fumo durante o dia e fogueiras à noite;
- Armazenar armas e provisões;
- Abrigar soldados em caso de ataque.
Este sistema de comunicação permitia que uma ameaça fosse sinalizada e transmitida a centenas de quilómetros em poucas horas.
Passagens fortificadas e portões controlados
Alguns dos pontos mais importantes da muralha eram os passos fortificados, que funcionavam como fronteiras administrativas e militares. Nestes locais, o tráfego era controlado, as mercadorias inspecionadas e os estrangeiros registados. Os mais famosos incluem:
- Jiayuguan: no extremo oeste, com um impressionante forte;
- Shanhaiguan: no extremo leste, conhecido como “o portão entre montanha e mar”.
Estes postos desempenhavam também um papel económico e diplomático, regulando a entrada e saída de comerciantes e embaixadores.
Era realmente eficaz?
A eficácia da muralha da China como barreira militar é um tema debatido entre historiadores. Embora tenha ajudado a retardar várias invasões e dificultado ataques surpresa, não foi invencível:
- Os mongóis liderados por Genghis Khan, no século XIII, conseguiram ultrapassá-la usando rotas alternativas e corrupção de guardas.
- Mais tarde, no século XVII, os manchus conseguiram entrar após negociações políticas e traições.
Apesar dessas falhas, a muralha cumpriu durante séculos a sua função de dissuadir e dificultar invasores, além de reforçar o poder simbólico e psicológico do império.
Lendas, Curiosidades e Mitos
A lenda de Meng Jiangnü: lágrimas que derrubaram a muralha
Uma das histórias mais comoventes da tradição chinesa ligada à muralha da China é a da jovem Meng Jiangnü. Segundo a lenda, o seu marido foi forçado a trabalhar na construção da muralha logo após o casamento. Meses depois, sem notícias, Meng decidiu ir procurá-lo.
Após uma longa jornada, soube que o marido havia morrido durante as obras e que o seu corpo fora enterrado na própria muralha. Inconsolável, chorou durante dias. As suas lágrimas foram tão intensas que um trecho da muralha desabou, revelando os ossos do marido. Esta história é símbolo de resistência feminina, dor e injustiça — e é contada há mais de dois mil anos em todo o país.
A muralha é visível da Lua?
Um dos mitos mais populares e repetidos é o de que a muralha da China pode ser vista da Lua a olho nu. Apesar de fascinante, esta afirmação é falsa. Astronautas, incluindo os da missão Apollo, confirmaram que a muralha não é visível do espaço sem auxílio de instrumentos. Tem pouca largura e as suas cores confundem-se com o terreno circundante.
Contudo, a muralha pode ser avistada a partir de órbitas baixas da Terra, mas não mais do que outras estruturas humanas, como autoestradas ou aeroportos.
Superstições e crenças populares
A construção da muralha alimentou muitas crenças e superstições:
- Acreditava-se que a muralha devia seguir o perfil do dragão, criatura sagrada na mitologia chinesa, para manter a harmonia com o céu e a terra.
- Alguns trabalhadores deixavam amuletos ou pequenas oferendas dentro das paredes como proteção espiritual.
- Diz-se que as secções com mais mortes têm “energia pesada” e são evitadas por certos grupos espirituais.
Curiosidades que poucos conhecem
- Quantos km tem a muralha da China? Mais de 21.000 km, contando todas as secções históricas.
- Quanto tempo levou a ser construída? Cerca de 2.000 anos, com pausas e reconstruções entre dinastias.
- É a maior construção feita pelo ser humano? Em extensão, sim. A muralha é a maior estrutura contínua já construída.
- Qual o nome original? Em chinês, chama-se “Changcheng” (长城), que significa “Muralha Longa”.
A Muralha da China na Rota da Seda
Ao longo dos séculos, a muralha da China não serviu apenas para proteger o império de invasões. Em muitos pontos do seu percurso, desempenhou também um papel fundamental na regulação do comércio e das trocas culturais, especialmente através da famosa Rota da Seda — a antiga rede de caminhos comerciais que ligava a China à Europa, passando pelo Médio Oriente e pela Ásia Central
A muralha como eixo de controlo económico
Em vez de impedir o contacto com o exterior, a muralha ajudava a controlar pontos estratégicos de passagem. Os principais portões da muralha, como Jiayuguan e Yumenguan, eram postos de fiscalização e alfândega, onde:
- Se cobravam impostos sobre mercadorias;
- Se registavam viajantes, comerciantes e diplomatas;
- Se monitorizavam os movimentos de entrada e saída do império.
Estes portões eram verdadeiros centros de controlo económico e militar, permitindo ao governo manter o domínio sobre as rotas comerciais
A Rota da Seda e o intercâmbio cultural
A presença da muralha em certos trechos da Rota da Seda não impediu a circulação — pelo contrário, contribuiu para que as trocas fossem mais seguras e reguladas. Por estes caminhos circulavam:
- Seda, porcelana e chá, vindos da China;
- Especiarias, pedras preciosas e perfumes, do Sul e Oeste da Ásia;
- Ideias religiosas e filosóficas, como o budismo, que chegou à China vindo da Índia;
- Técnicas agrícolas e invenções, como a pólvora e o papel, que mais tarde se difundiriam na Europa.
A muralha, nesse contexto, foi muito mais do que uma divisão física: tornou-se um ponto de contacto entre civilizações.
Um símbolo da posição da China no mundo
A localização da muralha da China ao longo de fronteiras comerciais mostra como o império procurava definir os seus limites e ao mesmo tempo afirmar a sua força. Não se tratava apenas de afastar “os bárbaros”, mas também de mostrar ao mundo que a China era um centro de poder, cultura e riqueza.
Património Mundial e Símbolo Cultural
Em 1987, a muralha da China foi oficialmente classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, em reconhecimento ao seu valor histórico, arquitetónico e cultural. Esta distinção reforçou o papel da muralha como símbolo universal da engenhosidade e perseverança humanas.
A classificação abrange especialmente os trechos mais bem preservados, como os das dinastias Ming e Han, e inclui:
- Secções restauradas em áreas turísticas;
- Torres de vigia e fortalezas;
- Paisagens naturais que a muralha atravessa.
Este estatuto trouxe maior atenção internacional, impulsionou o turismo e incentivou medidas de conservação e restauro.
A muralha na arte, no cinema e na literatura
Ao longo dos séculos, a muralha da China tem sido representada de diversas formas na cultura popular, tanto na China como no resto do mundo:
- Na arte tradicional chinesa, aparece frequentemente como pano de fundo para poemas, pinturas e caligrafias ligadas ao patriotismo e à resistência.
- No cinema, já foi palco de batalhas históricas, lendas épicas e até ficção científica, como no filme The Great Wall (2016).
- Na literatura, é referida por autores de várias nacionalidades como um símbolo de separação, proteção e grandeza civilizacional.
A muralha tornou-se assim um ícone cultural com múltiplas interpretações — símbolo de força, isolamento, mas também de conexão histórica com o mundo.
Um emblema da identidade chinesa
Para os chineses, a muralha da China é muito mais do que uma relíquia do passado: é um símbolo profundo da sua história e identidade nacional. É comum ouvir a expressão “谁不到长城非好汉” (Quem nunca foi à Grande Muralha não é um verdadeiro herói), popularizada por Mao Zedong, destacando a importância simbólica da visita ao monumento.
A imagem da muralha está presente:
- Em moedas comemorativas;
- Em logótipos oficiais e turísticos;
- Em discursos políticos e educativos.
Ela representa não só a resistência frente às adversidades, mas também a união de um povo em torno de um objetivo comum — algo que atravessa os séculos.
Preservação e Turismo
Embora a muralha da China continue a ser um dos monumentos mais famosos do mundo, grande parte da sua extensão está em risco. Apenas cerca de 8% da estrutura original permanece em bom estado — o resto encontra-se:
- Em ruínas, especialmente nas regiões mais remotas;
- Coberto por vegetação ou enterrado sob camadas de terra;
- Destruído por atividades humanas, como agricultura, urbanização e vandalismo.
A ação do tempo, os fenómenos naturais e a falta de manutenção em algumas zonas contribuíram para a degradação deste património milenar.
Esforços de conservação e desafios
O governo chinês tem vindo a intensificar os esforços para preservar a muralha, nomeadamente:
- Projetos de restauro em áreas turísticas (como Badaling e Mutianyu);
- Monitorização com drones e satélites para identificar danos estruturais;
- Campanhas de sensibilização pública, alertando para a importância do património.
No entanto, os desafios são enormes. As secções mais antigas, construídas com terra prensada, são extremamente frágeis. Além disso, a muralha atravessa zonas pouco povoadas e de difícil acesso, o que dificulta intervenções regulares.
Outro problema é a chamada “restauração agressiva”, em que trechos são reconstruídos com materiais modernos e estética artificial, perdendo o seu valor histórico e autenticidade.
Um dos destinos turísticos mais visitados do mundo
A muralha da China atrai milhões de visitantes todos os anos. As secções mais populares estão localizadas perto de Pequim e incluem:
- Badaling: com acessos facilitados, teleférico e infraestruturas modernas.
- Mutianyu: mais tranquila e com paisagens deslumbrantes.
- Jinshanling e Simatai: ideais para quem procura uma experiência mais autêntica e menos turística.
As visitas à muralha são uma verdadeira imersão histórica e cultural. No entanto, o turismo em massa também levanta questões:
- Desgaste das estruturas;
- Acumulação de lixo;
- Necessidade de equilíbrio entre acessibilidade e preservação.
Turismo sustentável: um caminho possível
Para garantir que futuras gerações possam continuar a admirar a muralha, são essenciais práticas de turismo responsável, como:
- Respeitar sinalizações e áreas restritas;
- Não remover pedras ou fragmentos;
- Apoiar guias locais e projetos de preservação;
- Preferir visitar secções menos sobrecarregadas.
A muralha da China, mais do que um monumento turístico, é um tesouro frágil que precisa de ser protegido com consciência e respeito.
Curiosidades Rápidas sobre a Muralha da China
🔹 Qual é a extensão total da muralha da China?
Mais de 21.000 km, considerando todas as secções, ramificações e muros naturais ou artificiais construídos ao longo de 2.000 anos.
🔹 Quantos anos levou a ser construída?
A construção decorreu durante cerca de dois milénios, começando no século V a.C. e continuando até ao século XVII.
🔹 Quantas dinastias participaram na sua construção?
Pelo menos sete dinastias contribuíram para a construção, reforço ou reconstrução da muralha — incluindo Qin, Han, Sui, Tang, Song, Yuan e Ming.
🔹 É verdade que a muralha da China é visível do espaço?
Não exatamente. Não é visível da Lua a olho nu, e só se distingue da órbita baixa da Terra em condições muito específicas.
🔹 Quantos trabalhadores morreram durante a construção?
Estima-se que centenas de milhares de pessoas tenham morrido durante a construção — muitos deles enterrados nas próprias fundações.
🔹 Qual é a parte mais visitada da muralha?
Badaling, perto de Pequim, é o trecho mais visitado e restaurado, recebendo milhões de turistas por ano.
🔹 Qual o ponto mais alto da muralha?
Alguns trechos em áreas montanhosas, como Simatai, ultrapassam os 1.000 metros de altitude.
🔹 Qual o verdadeiro nome da muralha em chinês?
Em mandarim, é chamada de “Changcheng” (长城), que significa literalmente “Muralha Longa”.
🔹 A muralha foi eficaz contra invasões?
Parcialmente. Apesar de dificultar ataques, foi ultrapassada por exércitos como os mongóis e os manchus.
🔹 Foi sempre uma estrutura contínua?
Não. A muralha da China é uma rede de construções, com secções separadas e variadas, adaptadas às condições geográficas.
O Legado da Muralha da China Hoje
Mais do que uma construção colossal, a muralha da China é um símbolo de resistência, engenho e identidade nacional. Sobreviveu ao tempo, às guerras, às mudanças políticas e até à erosão natural — e ainda hoje desperta admiração no mundo inteiro.
A muralha representa a capacidade humana de planeamento a longo prazo, de organização em larga escala e de superação de desafios aparentemente impossíveis. Cada pedra carrega uma história, cada curva acompanha o relevo de uma civilização com milhares de anos de continuidade.
Da defesa à inspiração
Hoje, a muralha já não protege o império contra invasores. Mas a sua função simbólica continua viva:
- É fonte de inspiração artística e arquitetónica;
- Serve como ponto de encontro entre passado e presente, tradição e modernidade;
- Reforça a identidade da China como berço de uma civilização antiga e resiliente;
- Lembra-nos que, ao contrário do que parece, as grandes construções não são feitas apenas de pedra, mas também de sonhos, sacrifícios e ideais coletivos.
Um património de toda a humanidade
Embora seja um monumento chinês, a muralha da China pertence ao património cultural do mundo. Visitar, estudar e proteger esta obra é também preservar a memória da humanidade, aprender com os erros e triunfos do passado, e respeitar as raízes da diversidade civilizacional.
Citação Histórica sobre a Muralha da China
"A muralha não protege apenas um território — protege a memória de um povo."
Provérbio chinês tradicional (adaptação moderna)
Muralha da China: Conclusão
Ao longo deste artigo, explorámos a verdadeira história da muralha da China: desde as suas origens no caos dos reinos antigos até ao seu papel atual como ícone turístico e cultural. Descobrimos os mitos, as lendas, os factos impressionantes e os desafios que ela enfrentou — e continua a enfrentar.
A muralha é muito mais do que um muro. É uma ponte entre séculos. Uma narrativa esculpida em pedra, terra e suor humano. E, acima de tudo, é um lembrete de que, mesmo perante obstáculos colossais, o ser humano é capaz de deixar uma marca eterna.
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📚 Principais Referências sobre a Muralha da China
- Encyclopaedia Britannica – Great Wall of China
Uma fonte abrangente sobre a história, construção e mitos da muralha. - National Geographic – The Great Wall of China:
Artigo rico em contexto histórico, cultural e geográfico, com imagens e mapas interativos. - World History Encyclopedia – Great Wall of China
Um resumo detalhado sobre as dinastias envolvidas e o significado histórico da muralha. - Live Science – Did the Great Wall of China work?
Explicações acessíveis, com foco em curiosidades científicas e mitos. - The China Guide – The Great Wall of China Travel Guide
Guia turístico não governamental, útil para detalhes sobre visitas, secções e preservação.
❓FAQs - Perguntas Mais Frequentes sobre a Muralha da China
Qual é a verdadeira extensão da Muralha da China?
A muralha tem mais de 21.000 km, incluindo muros, valas e barreiras naturais.
A Muralha da China é visível da Lua?
Não. Este é um mito popular. A muralha não é visível a olho nu da Lua, mas pode ser avistada da órbita terrestre baixa em condições específicas.
Quem construiu a Muralha da China?
Foi construída por milhares de trabalhadores, incluindo soldados, camponeses, prisioneiros e dissidentes políticos, ao longo de várias dinastias.
Para que servia a Muralha da China?
A muralha foi construída para proteger o império chinês de invasões, controlar fronteiras e regular rotas comerciais.
Quanto tempo demorou a construção da Muralha da China?
Cerca de 2.000 anos, com diferentes fases de construção entre o século V a.C. e o século XVII.
Qual é a parte mais famosa da Muralha da China?
Badaling, perto de Pequim, é a secção mais restaurada e visitada.
Por que a Muralha da China foi considerada uma maravilha do mundo?
Pelo seu tamanho colossal, importância histórica e impacto cultural, foi eleita como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo em 2007.
Ainda se pode visitar a Muralha da China hoje?
Sim, várias secções estão abertas ao público e bem preservadas, como Badaling, Mutianyu, Jinshanling e Jiayuguan.




