Quase tudo o que fazemos hoje — do pagamento por MBWay ao GPS que nos guia no trânsito — depende de uma ideia que há menos de um século parecia ficção científica: o primeiro computador. Antes dele, calcular trajetórias, salários ou estatísticas era um trabalho manual, demorado e sujeito a erro. A partir do momento em que a humanidade conseguiu transformar problemas em instruções e eletrões em resultados, a história da informática deu um salto irreversível.
Neste artigo, vamos percorrer uma linha do tempo que começa com as máquinas de calcular mecânicas e a visão teórica da máquina de Turing, passa pelos gigantes de válvulas como o ENIAC — frequentemente citado como o primeiro computador eletrónico de propósito geral — e chega à evolução dos computadores pessoais, à internet e aos smartphones que hoje levamos no bolso. Pelo caminho, vamos comparar o que se considerava “computador” em cada época, explicar por que razão há debate em torno do que conta como “primeiro”, e mostrar como a miniaturização, o software e a inteligência artificial redefiniram o que entendemos por computador moderno.
O objetivo é simples: contar, de forma clara e envolvente, como passámos de salas cheias de válvulas e cabos a dispositivos silenciosos e poderosos, capazes de aprender padrões, gerar imagens e auxiliar decisões em tempo real. No fim desta viagem — da teoria à prática, dos mainframes à nuvem, da calculadora à revolução digital — vai ficar evidente que a pergunta “qual foi o primeiro computador?” é também um convite para percebermos como tudo começou e para onde podemos ir a seguir.
Resumo de conteúdo
O Mundo Antes do Primeiro Computador
Para compreender a importância do primeiro computador, é preciso imaginar um mundo onde nenhuma máquina eletrónica conseguia processar dados ou executar cálculos complexos por conta própria. Até meados do século XX, toda a informação — de contas bancárias a mapas de navegação — era tratada manualmente ou com a ajuda de dispositivos mecânicos, muitas vezes lentos e imprecisos.
As primeiras ferramentas de cálculo
O ábaco, inventado há milhares de anos, foi uma das primeiras tentativas de criar um sistema para facilitar a contagem. Simples, mas eficaz, tornou-se indispensável para mercadores e comerciantes em várias civilizações.
Séculos depois, no século XVII, surgiram as primeiras máquinas de calcular mecânicas. Blaise Pascal desenvolveu a Pascalina, capaz de efetuar somas e subtrações de forma automática. Gottfried Wilhelm Leibniz aperfeiçoou o conceito com a sua máquina de multiplicar, que também podia realizar divisões.
Charles Babbage e o sonho de uma “máquina programável”
No século XIX, o matemático inglês Charles Babbage idealizou a Máquina Analítica, um projeto que, se tivesse sido concluído, poderia ter sido considerado o verdadeiro primeiro computador. Era uma máquina mecânica, movida a vapor, que usaria cartões perfurados para executar instruções — um conceito inovador para a época e que antecipava a lógica dos computadores modernos.
Ao lado dele, Ada Lovelace escreveu o primeiro algoritmo conhecido, tornando-se a primeira programadora da história. O trabalho de ambos plantou as sementes para a informática, mas a tecnologia da época não permitia transformar o conceito em realidade funcional.
O cenário no início do século XX
À entrada do século XX, a tecnologia tinha avançado para incluir sistemas eletromecânicos, como as máquinas de cartões perfurados usadas nos censos dos Estados Unidos. Empresas como a IBM (na altura ainda com outro nome) começaram a especializar-se nesse tipo de equipamento, que permitia processar grandes quantidades de dados de forma mais rápida do que qualquer ser humano — mas ainda estávamos longe de algo que pudesse ser chamado de computador digital.
Foi este mundo, de cálculos demorados e máquinas limitadas, que preparou o palco para a revolução que viria com a máquina de Turing e, pouco depois, com o ENIAC, marcando oficialmente o nascimento da era digital.
A Máquina de Turing: A Teoria que Mudou Tudo
No início da década de 1930, um jovem matemático britânico chamado Alan Turing começou a refletir sobre um problema aparentemente teórico: será possível criar uma máquina capaz de resolver qualquer cálculo matemático, desde que receba as instruções corretas? A resposta a essa pergunta iria mudar para sempre o rumo da história da informática.
O conceito de “computador universal”
Em 1936, Turing apresentou o que chamou de máquina universal, hoje conhecida como máquina de Turing. Esta não era uma máquina física, mas sim um modelo matemático que descrevia como um dispositivo poderia ler e processar instruções de forma sequencial, alterando dados e armazenando resultados.
A grande revolução da ideia estava no facto de a mesma máquina poder executar qualquer tarefa computacional, desde que programada para isso. Este conceito é, essencialmente, o fundamento dos computadores modernos.
A importância prática na Segunda Guerra Mundial
Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu, Turing foi recrutado para Bletchley Park, o centro britânico de descodificação. Lá, aplicou os princípios da sua teoria para desenvolver máquinas capazes de quebrar o código Enigma utilizado pelos nazis.
Essas máquinas — como a Bombe — não eram computadores digitais como os de hoje, mas incorporavam conceitos fundamentais de processamento lógico e automático. O seu trabalho foi tão crucial que muitos historiadores acreditam que ajudou a encurtar a guerra em dois anos e a salvar milhões de vidas.
Da teoria à realidade
A máquina de Turing demonstrou que qualquer problema computável poderia ser resolvido por uma máquina com memória, leitura e escrita, e um conjunto de instruções. Embora, na altura, fosse apenas um exercício intelectual, esta ideia tornou-se a base para todos os desenvolvimentos que culminariam no primeiro computador eletrónico de propósito geral: o ENIAC.
Se Turing tivesse construído fisicamente a sua máquina universal na década de 1930, talvez fosse ele o inventor oficial do primeiro computador. No entanto, a sua contribuição foi ainda mais profunda — criou a linguagem fundamental que todos os computadores falam, do ENIAC aos smartphones de hoje.
ENIAC: O Primeiro Computador Eletrónico
Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, a corrida tecnológica não abrandou. A necessidade de cálculos rápidos para balística, meteorologia e projetos científicos levou a um salto sem precedentes: o nascimento do primeiro computador eletrónico de propósito geral, o ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer).
O contexto da sua criação
O ENIAC foi desenvolvido entre 1943 e 1945 por John Presper Eckert e John Mauchly na Universidade da Pensilvânia, financiado pelo Exército dos Estados Unidos. O objetivo inicial era simples, mas urgente: calcular tabelas de tiro de artilharia com maior rapidez e precisão.
Dimensões e desempenho impressionantes
Apesar de ser chamado de “computador”, o ENIAC ocupava uma sala inteira. As suas características eram imponentes para a época:
- Peso: cerca de 27 toneladas
- Tamanho: 30 metros de comprimento por 2,4 metros de altura
- Componentes: mais de 17.000 válvulas eletrónicas
- Consumo de energia: aproximadamente 150 kW (suficiente para apagar as luzes de um bairro pequeno)
- Velocidade: podia efetuar cerca de 5.000 somas por segundo, algo revolucionário na década de 1940
Programar o ENIAC: um desafio físico
Ao contrário dos computadores modernos, o ENIAC não possuía um sistema operativo nem teclado no sentido tradicional. Programá-lo exigia reconectar manualmente cabos e ajustar interruptores para cada tarefa — um processo que podia levar dias para ser concluído antes de se executar um único cálculo.
Primeiras aplicações
O ENIAC foi usado inicialmente para cálculos militares, mas rapidamente se percebeu o seu potencial científico. Foi aplicado em pesquisas de energia nuclear, previsões meteorológicas e até cálculos de trajetória para o projeto da bomba de hidrogénio.
Porque é considerado o “primeiro computador”
Depois do sucesso técnico do ENIAC, ficou claro que os computadores não eram apenas curiosidades científicas ou ferramentas militares — podiam transformar também o mundo dos negócios, da indústria e da administração pública. Assim começou a era dos primeiros computadores comerciais, máquinas vendidas e instaladas fora do ambiente académico ou militar.
Primeiros Computadores Comerciais
Depois do sucesso técnico do ENIAC, ficou claro que os computadores não eram apenas curiosidades científicas ou ferramentas militares — podiam transformar também o mundo dos negócios, da indústria e da administração pública. Assim começou a era dos primeiros computadores comerciais, máquinas vendidas e instaladas fora do ambiente académico ou militar.
UNIVAC I – O pioneiro comercial
Em 1951, os criadores do ENIAC, Eckert e Mauchly, lançaram o UNIVAC I (Universal Automatic Computer), o primeiro computador produzido para uso comercial nos Estados Unidos.
- Velocidade: até 1.000 operações por segundo.
- Memória: usava fitas magnéticas para armazenar dados, uma novidade para a época.
- Utilização: inicialmente adquirido pelo U.S. Census Bureau para processar dados do recenseamento, mas rapidamente adotado por grandes empresas e órgãos governamentais.
O UNIVAC ficou famoso ao prever corretamente o resultado das eleições presidenciais de 1952, transmitido ao vivo na televisão americana, algo que impressionou o público e despertou o interesse pelo potencial da informática.
IBM 701 – O início do domínio IBM
Em 1952, a IBM entrou na corrida com o IBM 701, voltado para cálculos científicos e aplicações empresariais.
- Memória principal: baseada em tubos de Williams (tubos de raios catódicos usados para armazenar dados).
- Mercado-alvo: laboratórios de investigação e empresas com grande volume de processamento.
A IBM investiu fortemente em marketing e suporte técnico, o que lhe permitiu dominar o mercado de computadores comerciais nas décadas seguintes.
Redução de tamanho e aumento de fiabilidade
Os primeiros modelos comerciais ainda eram enormes, consumiam muita energia e necessitavam de equipas especializadas para operar. No entanto, o uso de transístores, a partir do final da década de 1950, permitiu reduzir o tamanho, aumentar a fiabilidade e baixar os custos de manutenção. Essa evolução abriu caminho para que computadores começassem a aparecer em mais empresas e, eventualmente, nas universidades.
Impacto nos negócios e na ciência
Com a chegada destes computadores ao mercado, empresas puderam processar salários, controlar inventários e realizar análises estatísticas em horas, em vez de semanas. No campo científico, aceleraram descobertas na física, meteorologia e engenharia.
Evolução dos Computadores: Década a Década
A partir dos primeiros modelos comerciais, a história da evolução dos computadores ganhou ritmo acelerado. Cada década trouxe inovações que mudaram radicalmente o que entendíamos por “computador” — desde máquinas de grande porte que ocupavam edifícios inteiros até dispositivos tão pequenos que cabem no nosso bolso.
Anos 1950 e 1960 – Das válvulas aos transístores
- Válvulas eletrónicas (anos 40 e início dos 50): grandes, frágeis e com elevado consumo de energia.
- Transístores (a partir de 1957): menores, mais duráveis e mais eficientes, substituindo as válvulas.
- Computadores como o IBM 1401 popularizaram-se nas empresas, processando dados com mais rapidez e menor custo.
- Surgimento das primeiras linguagens de programação de alto nível, como FORTRAN e COBOL, que tornaram a programação mais acessível.
Anos 1970 – Microprocessadores e os primeiros computadores pessoais
- Em 1971, a Intel lançou o Intel 4004, o primeiro microprocessador comercial, capaz de realizar todas as funções de uma CPU num único chip.
- Aparecem kits como o Altair 8800 (1975), considerados os precursores do PC.
- Apple I (1976) e Apple II (1977) inauguram a era dos computadores pessoais acessíveis a pequenos negócios e entusiastas.
- O uso de discos flexíveis (floppy disks) substitui parcialmente as fitas magnéticas para armazenamento.
Anos 1980 – A popularização do PC
- Em 1981, a IBM lança o IBM PC, estabelecendo um padrão para hardware e software que duraria décadas.
- Surge o MS-DOS, sistema operativo da Microsoft, que se torna o mais utilizado no mundo empresarial.
- Aparecem as primeiras interfaces gráficas (GUI), como no Apple Macintosh (1984), trazendo o rato e ícones para o uso diário.
- Impressoras domésticas e programas como o Lotus 1-2-3 expandem a utilidade dos PCs.
Anos 1990 – A internet e a revolução da conectividade
- O acesso à World Wide Web explode a partir de 1993 com navegadores como o Mosaic e, mais tarde, o Netscape Navigator.
- Sistemas operativos como o Windows 95 trazem um ambiente gráfico mais intuitivo e suporte nativo à internet.
- Surge o e-mail como ferramenta essencial de comunicação e começam as primeiras lojas online.
- Jogos de computador e multimédia tornam-se populares, expandindo o mercado doméstico.
Anos 2000 em diante – Portabilidade e computação na nuvem
- Laptops substituem progressivamente os computadores fixos em muitos ambientes de trabalho.
- O lançamento do iPhone (2007) redefine a ideia de “computador pessoal”, colocando no bolso um dispositivo multifuncional.
- Tablets e smartphones tornam-se comuns, com processadores cada vez mais rápidos e conectividade constante.
- A computação na nuvem permite armazenar dados e executar aplicações sem depender do hardware local.
A cada década, a distância entre o primeiro computador e as máquinas atuais aumentou exponencialmente, não apenas em termos de poder de processamento, mas também no papel que desempenham na sociedade.
Do Primeiro Computador à Revolução Digital
O caminho entre o primeiro computador e os dispositivos que usamos hoje não foi apenas uma evolução técnica — foi uma verdadeira transformação cultural, económica e social. Em poucas décadas, o computador deixou de ser uma máquina rara e cara, restrita a militares e cientistas, para se tornar uma ferramenta indispensável no quotidiano de bilhões de pessoas.
Miniaturização e a Lei de Moore
Um dos principais motores desta revolução foi a miniaturização dos componentes eletrónicos. Em 1965, Gordon Moore, cofundador da Intel, previu que o número de transístores num chip dobraria a cada dois anos, aumentando exponencialmente a capacidade de processamento — a famosa Lei de Moore.
Graças a este fenómeno, aquilo que ocupava uma sala inteira no ENIAC cabe hoje num chip minúsculo, consumindo uma fração da energia e custando muito menos.
Dos mainframes ao computador pessoal
Nos anos 1970 e 1980, a introdução do PC democratizou o acesso à informática. Já não era preciso ser uma grande empresa ou um centro de investigação para beneficiar da computação. Este salto abriu espaço para inovações em educação, pequenos negócios e até na criatividade individual, com softwares de design, música e escrita.
O impacto da internet
Se os computadores pessoais trouxeram o poder de processamento para as casas e escritórios, a internet ligou todos esses dispositivos numa rede global.
- O correio eletrónico substituiu cartas e faxes.
- Os motores de busca transformaram a forma como acedemos à informação.
- O comércio eletrónico mudou hábitos de consumo.
- As redes sociais remodelaram a comunicação humana e a partilha de ideias.
A era da mobilidade
A revolução digital deu mais um passo com os smartphones e a computação móvel. Hoje, um telemóvel tem mais capacidade de processamento do que o ENIAC e a maioria dos supercomputadores dos anos 80.
O trabalho, o lazer e a vida social deslocaram-se para um ambiente em que a informação está sempre ao alcance de um toque.
Inteligência Artificial e automação
Atualmente, assistimos ao nascimento de uma nova fase: computadores capazes de aprender e tomar decisões. A inteligência artificial, os algoritmos preditivos e a automação estão a moldar setores como a medicina, a indústria e a ciência, com impactos tão significativos quanto os que o primeiro computador provocou no seu tempo
O Computador Moderno
O computador moderno é o resultado de mais de sete décadas de avanços contínuos, desde o primeiro computador eletrónico até aos dispositivos compactos e extremamente potentes que usamos diariamente. Apesar da variedade de formatos — desktops, portáteis, tablets, smartphones, smartwatches e até sistemas embutidos em eletrodomésticos — todos partilham os mesmos princípios básicos herdados dos pioneiros como o ENIAC e a máquina de Turing.
Arquitetura e componentes principais
A base de um computador moderno segue o chamado modelo de von Neumann, com componentes que trabalham em conjunto para processar e armazenar informações:
- CPU (Unidade Central de Processamento) – o “cérebro” da máquina, responsável por executar instruções.
- GPU (Unidade de Processamento Gráfico) – otimizada para lidar com imagens, vídeos e cálculos complexos em paralelo; hoje, também muito usada em inteligência artificial.
- Memória RAM – armazena dados temporários para acesso rápido.
- Armazenamento – SSDs e HDDs guardam dados a longo prazo; os SSDs são muito mais rápidos e fiáveis.
- Placa-mãe – integra todos os componentes e permite a comunicação entre eles.
- Fontes de alimentação e sistemas de arrefecimento – essenciais para manter o funcionamento estável.
Comparação: primeiro computador vs. computador moderno
A diferença entre o ENIAC e um computador atual é quase incompreensível:
- Tamanho: de uma sala inteira para um dispositivo que cabe no bolso.
- Velocidade: de milhares para milhões de milhões de operações por segundo.
- Consumo energético: de 150 kW para menos de 10 W num smartphone.
- Armazenamento: de zero memória permanente para terabytes disponíveis.
- Interface: de cabos e interruptores físicos para ecrãs táteis e comandos de voz.
O papel da tecnologia da informação
Nos dias de hoje, o computador não é apenas uma ferramenta de cálculo — é o centro de toda a tecnologia da informação. Empresas, governos, universidades e indivíduos dependem dele para comunicação, segurança, gestão, entretenimento e inovação.
A convergência entre hardware e software, aliada à internet, transformou-o numa extensão da mente humana e num elemento indispensável da sociedade moderna.
Tendências e o Futuro dos Computadores
Se a história do primeiro computador nos mostra de onde viemos, as tendências atuais revelam para onde podemos ir. A evolução não está perto de desacelerar — pelo contrário, os próximos anos prometem transformações tão ou mais radicais do que as que vivemos nas últimas décadas.
Computação quântica
Enquanto os computadores tradicionais processam informação em bits (0 ou 1), a computação quântica utiliza qubits, que podem estar em múltiplos estados ao mesmo tempo graças à superposição quântica.
- Potencial para resolver problemas complexos em segundos, como simulações químicas, criptografia avançada e otimização de sistemas.
- Grandes empresas como Google, IBM e startups especializadas já têm protótipos funcionais, mas ainda longe do uso massificado.
Supercomputadores e inteligência artificial
A nova geração de supercomputadores é capaz de realizar quatriliões de cálculos por segundo, alimentando modelos de IA com uma precisão sem precedentes.
- Aplicações na medicina personalizada, previsão climática, descoberta de medicamentos e exploração espacial.
- Sistemas de IA generativa (como modelos de linguagem e de imagem) estão a redefinir como interagimos com computadores.
Computadores invisíveis e Internet das Coisas (IoT)
Estamos a entrar numa fase em que o computador deixa de ser um objeto isolado e passa a estar embutido em tudo:
- Carros autónomos.
- Eletrodomésticos inteligentes.
- Sensores urbanos que ajudam a gerir energia e tráfego.
- Dispositivos médicos vestíveis para monitorizar a saúde em tempo real.
Interfaces mais humanas
A próxima geração de computadores poderá não ter teclado ou rato. Espera-se o avanço de:
- Comandos de voz mais naturais e contextuais.
- Realidade aumentada e realidade virtual como ambientes de trabalho e lazer.
- Interfaces cérebro-computador, permitindo controlar dispositivos com o pensamento.
Sustentabilidade e eficiência energética
O futuro da computação também terá de enfrentar o desafio ambiental e de sustentabilidade.
- Desenvolvimento de chips mais eficientes e de data centers com energia 100% renovável.
- Reciclagem de componentes eletrónicos e redução de resíduos tecnológicos.
Se o salto do ENIAC para o smartphone já parece incrível, as próximas décadas poderão tornar essa transformação apenas o prólogo de algo ainda mais surpreendente.
Curiosidades Sobre o Primeiro Computador
O primeiro computador eletrónico de propósito geral, o ENIAC, não foi apenas uma maravilha tecnológica — também acumulou histórias curiosas e até caricatas, típicas de uma era em que tudo ainda estava a ser inventado.
Um verdadeiro “monstro” tecnológico
- O ENIAC pesava cerca de 27 toneladas e ocupava uma sala com mais de 160 m².
- Continha mais de 17.000 válvulas eletrónicas, 7.200 diodos de cristal, 1.500 relés e quilómetros de cabos.
- Quando ligado, gerava tanto calor que a sala precisava de sistemas de arrefecimento dedicados para evitar sobreaquecimento.
Energia para uma pequena cidade
O consumo do ENIAC rondava os 150 quilowatts, suficiente para alimentar cerca de 50 casas modernas. Não era incomum que o ligar da máquina causasse quedas de energia momentâneas na área.
Programar era um trabalho físico
Hoje escrevemos código em ecrãs, mas, no ENIAC, programar significava ligar e desligar cabos e ajustar milhares de interruptores.
- Uma simples alteração de tarefa podia levar dias inteiros de preparação antes de se executar o primeiro cálculo.
Operadoras pioneiras
Grande parte da programação do ENIAC foi feita por seis mulheres: Kay McNulty, Betty Jennings, Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Fran Bilas e Ruth Lichterman. Estas pioneiras da informática foram responsáveis por traduzir problemas matemáticos complexos em instruções para a máquina — um feito pouco reconhecido na época.
Mais rápido que qualquer humano
Apesar da complexidade e limitações, o ENIAC podia efetuar 5.000 somas ou 357 multiplicações por segundo — algo impossível para qualquer ser humano, mesmo os calculistas mais rápidos.
Vida curta, legado duradouro
O ENIAC entrou em funcionamento em 1945 e foi desativado em 1955. Ao longo de 10 anos, inspirou diretamente os primeiros computadores comerciais e ajudou a estabelecer os princípios de programabilidade que ainda hoje usamos.
Citação Histórica sobre o Primeiro Computador
"Aqueles que podem imaginar qualquer coisa, podem criar o impossível."
Alan Turing
O Primeiro Computador: Conclusão
Da máquina de Turing, que nasceu como um exercício teórico, ao ENIAC, que inaugurou a era digital, a história do primeiro computador é uma narrativa de engenho humano e evolução constante. Em menos de um século, passámos de salas repletas de válvulas e cabos para dispositivos com milhões de vezes mais capacidade que cabem no bolso e funcionam durante horas com a energia de uma pequena bateria.
Cada salto tecnológico — transístores, microprocessadores, internet, mobilidade e inteligência artificial — não apenas aumentou a potência das máquinas, mas também alterou profundamente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Se hoje já dependemos dos computadores para quase tudo, do diagnóstico médico à gestão de satélites, o futuro promete uma integração ainda mais profunda, com a computação quântica, a Internet das Coisas e as interfaces cérebro-computador.
A grande lição que esta viagem deixa é que o primeiro computador não foi apenas uma invenção: foi a abertura de uma porta para um mundo onde a informação se tornou a matéria-prima mais valiosa. E se o passado foi marcado pela curiosidade e pela busca de soluções, o futuro será moldado pela capacidade de usar essa tecnologia de forma ética, criativa e sustentável.
Assista ao vídeo sobre o Primeiro Computador👇
📚 Principais Referências sobre o Primeiro Computador
Computer History Museum – História detalhada da evolução dos computadores e do ENIAC.
Alan Turing Institute – Centro britânico de investigação em ciência de dados e inteligência artificial, com recursos e artigos sobre a vida e obra de Alan Turing.
History of Computing – Stanford University – Linha do tempo e análises académicas sobre o desenvolvimento dos computadores.
PCMag – Evolution of the Computer – Série de artigos sobre a evolução da informática, desde o ENIAC até à era digital.
❓FAQs - Perguntas Mais Frequentes sobre o Primeiro Computador
Qual foi o primeiro computador da história?
O ENIAC, desenvolvido entre 1943 e 1945, é amplamente reconhecido como o primeiro computador eletrónico de propósito geral totalmente funcional.
Quem inventou o primeiro computador?
O ENIAC foi criado por John Presper Eckert e John Mauchly, mas a base teórica veio de Alan Turing com a sua máquina universal.
O que é a máquina de Turing?
É um modelo matemático criado por Alan Turing em 1936 que define como uma máquina pode processar qualquer cálculo computável..
Quanto custou o primeiro computador?
O ENIAC custou cerca de 500 mil dólares na época, equivalente a mais de 6 milhões de dólares atuais.
Quando surgiu o computador pessoal?
O primeiro computador pessoal amplamente reconhecido foi o Altair 8800, lançado em 1975, seguido por modelos como o Apple II e o IBM PC.
Qual a diferença entre ENIAC e UNIVAC?
O ENIAC foi o primeiro computador eletrónico de propósito geral; o UNIVAC I foi o primeiro computador comercial disponível no mercado.
Qual é o computador mais rápido do mundo hoje?
Atualmente, supercomputadores como o Frontier e o Fugaku lideram os rankings, alcançando velocidades na ordem dos exaflops.
O que esperar do futuro dos computadores?
Espera-se o avanço da computação quântica, inteligência artificial mais sofisticada e computadores integrados em objetos do quotidiano através da Internet das Coisas.
Sobre o autor
Hélio Simão
Fundador e editor do Axómetro. Estudou Ciências da Natureza — Biologia e Geologia — escreve sobre ciência, história, educação, economia, tecnologia e sociedade com linguagem clara, acessível e focada no conhecimento útil.
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